terça-feira, 8 de novembro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
X CONPE Maringá Paraná
SUBJETIVIDADE, ENSINO E APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO BÁSICA:PRODUÇÕES DE PROGRAMAS DE PSICOLOGIA E EDUCAÇÃO
terça-feira, 31 de maio de 2011
Simposio Psicopedagogia Sedes Sapientiae Desafios frente à violência
PSICOPEDAGOGIA E CINEMA: o filme A ONDA
Alcionearques- Instituto Sedes Sapientiae
Ms Elisa Maria Pitombo- Instituto Sedes Sapientiae
Maria Paula Parisi Lauria – Instituto Sedes Sapientiae
Apresentamos reflexões psicopedagógicas sobre o filme A onda, de Dennis Gansel, baseado em fato real ocorrido em 1967, em escola secundária norte-americana localizada em Palo Alto, na Califórnia, Estados Unidos. Antes de virar filme ambientado na Alemanha, a história foi romanceada em livro. A intenção inicial do professor que viveu essa experiência na vida real era de que o curso fizesse parte do currículo da escola, a fim de que servisse de objeto de reflexão e ainda prevenisse contra a onda nazifascista iniciada no final da década de 30.
A onda traz a seguinte trama: Rainer Wenger, professor, deve ensinar seus alunos sobre autocracia, depois que o curso sobre anarquismo, seu tema de predileção, é assumido por outro professor. Devido ao desinteresse dos alunos e à sua própria falta de histórico nas aulas sobre esse tema, propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo e do poder. Wegner se denomina o líder daquele grupo de alunos, escolhe o lema “força pela disciplina” e dá ao movimento o nome de "A onda", nome votado pelos alunos. Em pouco tempo, os alunos começam a aderir às propostas do professor, voltadas para o poder da unidade, e a ameaçar os outros. Quando o jogo fica sério, Wenger decide interrompê-lo. Mas é tarde demais, e "A onda" já saiu de seu controle.
O discurso final, proferido pelo professor Ross na primeira versão do filme feito nos Estados Unidos em 1981: “Vocês trocaram sua liberdade pelo luxo de se sentirem superiores”. Todos vocês teriam sido bons nazifascistas. Certamente iriam vestir uma farda, virar a cabeça e permitir que seus amigos e vizinhos fossem perseguidos e destruídos. O fascismo não é uma coisa que outras pessoas fizeram. Ele está aqui mesmo em todos nós. Vocês perguntam: como que o povo alemão pode ficar impassível enquanto milhares de inocentes seres humanos eram assassinados? Como alegar que não estavam envolvidos. O que faz um povo renegar sua própria história? Pois é assim que a história se repete. Vocês todos vão querer negar o que se passou em “A onda’”. Nossa experiência foi um sucesso. Terão ao menos aprendido que somos responsáveis pelos nossos atos (isso é uma pergunta?). Vocês devem se interrogar: o que fazer em vez de seguir cegamente um líder? E que pelo resto de suas vidas nunca permitirão que a vontade de um grupo usurpe seus direitos individuais. Como “é difícil ter que suportar que tudo isso não passou de uma grande vontade e de um sonho”.
Do ponto de vista psicopedagógico, devemos nos fazer algumas indagações: Como desenvolver a autonomia do pensar e conhecer frente à massificação, ao fanatismo e à intolerância do ser humano? Como lidar com as situações de ensino-aprendizagem em grupos atraídos pela massificação de consumo: aqueles que se veem como iguais, com códigos próprios, o os leva a atos de rejeição aos “mais fracos” ou “diferentes”?
A animosidade do grupo com as pessoas que decidem não usar o uniforme, a agressão física do namorado frente às críticas que a protagonista faz ao movimento e a cena final, quando o aluno que se levanta no auditório contra A Onda é imobilizado são algumas situações de intolerância dos membros do movimento. Atos de violência do grupo de jovens, no filme, nos leva a pensar sobre que aspectos psicopedagógicos?
O filme “A Onda”, segundo Lima (2011), constitui-se numa metáfora correspondente a vários movimentos marcados pela presença de um líder carismático, sejam os Carecas do ABC paulista e os grupos de skinheads espalhados pelo mundo, entre vários outros. Nesses movimentos de líderes de poder autoritário e carismático, há sempre um chamado aos jovens para pertencerem a uma causa alheia aos interesses imediatos dos adolescentes. .
A massificação, o fanatismo e a intolerância ao ser humano são a tônica desses movimentos, representados no filme pelos jovens de camiseta branca que não têm autoria de pensamento, cuja identidade pessoal é arrebatada pela massificação do grupo. Os alunos desprezam o diálogo e se sustentam pelo argumento da emoção.
O filme nos leva a refletir sobre a perda de liberdade do “sujeito” que, do ponto de vista psicopedagógico, lemos com a falta da autonomia de pensar. No grupo retratado pelo filme, há massificação de pensamentos, com o predomínio de ordens e de ações. Em contrapartida, temos nos dias de hoje a massificação de costumes ditada pela mídia eletrônica e digital. Como ficam os sujeitos diferentes? Submetendo-se incondicionalmente ao poder do grupo, com palavras de ordens ditadas por vezes pelas de redes sociais, em direção a uma ação automática de subserviência absoluta, fazendo desaparecer o sujeito autônomo que pensa e cria.
Eco (1995), ao discutir em artigo sobre a nebulosa nuvem fascista que paira sobre o mundo atual, ressalta os sintomas da ascensão do irracional humano nos grupos nazifascista que pregam algum tipo de supremacia. Cita o fundamentalismo religioso (cristão, islâmico e judaico), como também ações criminosas vinculadas ao narcotráfico e ao terrorismo de grupos ou de Estado, com ausência de um projeto politico. O autor ainda assinala três sintomas: o desprezo pelo diálogo, o ato pelo ato, o argumento pela emoção e não pela razão. Para ele é justamente “a ação pela ação” e a “luta pela luta” que caracterizam muitos movimentos sociais da atualidade com traços fascistas.
Perante essas colocações, enquanto profissionais voltados para as questões psicopedagógicas, faz-se urgente refletirmos e, sobretudo, estarmos informados a respeito de tendências que destituem a autonomia do pensar e do conhecer, em favor de uma liderança carismática que venha aparentemente suprir necessidades individuais e grupais, com um chamado de igualdade e de um novo sentido existencial no mundo.
Referências bibliográficas
terça-feira, 24 de maio de 2011
Tempo de aprender e o aprender com o tempo
Trago alguns pensares sobre a resinificação do tempo do aprender nos dias de hoje, nas instituições: escola e família, bem como o processo de aprender com o tempo.
Na minha prática psicopedagógica clínica em parceria com pais e escola, desenvolvo possibilidades de atuação dos seres pensantes no aprender na construção do conhecimento cientifico–cultural escolar e o conhecimento cotidiano familiar.
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Fernandez (2000) ao discutir sobre a aprendizagem de hoje e as modificações da construção do tempo, defende que “... havemos roubado o tempo, como diz Gonçalves da Cruz (1995) e Saidón (1995) junto a Deleuze, a Psicanálise é uma invenção do tempo para que o sujeito possa escutar-se e temos permitido que assim aconteça...“ (p. 244). Por analogia a autora assinala que a “... Psicopedagogia pode ser a produção de tempo para que possamos nos inventar pensantes” (p. 244).
Os instrumentos de comunicação da atualidade como a Internet, o celular, a televisão, fazem parte dos saberes do cotidiano advindo dos avanços do saberes científico culturais., constituem-se numa realidade. No entanto, a velocidade de imagens, de informações, de sons, por vezes afasta dos desafios reais do cotidiano. No meu modo de pensar, assistimos a uma aceleração da realidade, onde as relações humanas se distanciam de tal maneira que atingem a comunicação e, consequentemente de aprendizagem.
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Fernández (2000) ao analisar o papel da televisão na aprendizagem assinala, um ponto que concordo - o impacto da imagem visual tem tido mais força da verdade do que a palavra. A imagem da televisão parece preencher os anseios de quem a assiste. Mas a assinala que a palavra, sim é que permite um espaço para a pergunta, para o pensar e o aprender.
As modificações das construções do tempo advindas do mundo virtual de instantaneidade têm influenciado as relações de aprendizagem.
A escola e a família são atingidas pela “falta de tempo” para que seus alunos e filhos conversem, argumentem, discutam, enfim pensem. E com a “perda de tempo”, perdem o tempo para sentarem juntos e ouvirem histórias de seus antepassados familiares, ou ainda para ouvir e ver os alunos com problemas de aprendizagem.
O tempo na sociedade atual; do excesso de informação, da vertiginosidade e fugacidade das relações humanas, modifica a maneira da comunicação, da aprendizagem, e enfim do relacionamento humano.
Há então comportamentos comuns, todos têm pressa; de começar logo para terminar logo, de encerrar logo o dia para dormir logo, para acordar logo e ir enfrente logo. Mas para onde? Por que tanta urgência? A aprendizagem tem um certo tempo? E os problemas de aprendizagem têm um tempo certo duração? O atendimento psicopedagógico clínico deve atender às demandas de eficiência e eficácia do aprender? Os pais repensam o tempo dedicado ao ensinar e aprender de seus filhos? Qual seria a prioridade familiar, conversar ou ver televisão ou a Internet? Preparar os alunos para a competitividade do aprender ou para a cooperação do ensinar e aprender? Atender a dúvida do aluno ou pesquisar na Internet?
A aceleração temporal imposta pelas mudanças tecnológicas e sociais da pós-modernidade é vista por Fernandez (2001) ao discutir questões sobre as dificuldades da manutenção da atenção das crianças e jovens com problemas de aprendizagem, onde afirma que ”... a sociedade globalizada desatende a todos; contudo coloca como doença o que as crianças podem denunciar como a sua inquietude e falta de atenção” (p. 294).
Numa época onde o tempo individual é como que aniquilado pelo espaço cotidiano, o “aqui e o agora” adquire extrema importância devido ao ritmo imposto pelo tempo vivido na atualidade. Parece haver uma certa exigência de imediatismo de respostas, de resultados, sobretudo no processo de aprendizagem. O fracasso escolar, muitas vezes, filia-se ao fracasso familiar, e se faz urgente eliminar os seus efeitos, as notas e conceitos abaixo da media, sem ser considerado pelo ao menos as suas causas e implicações das diferenças, das particularidades de cada sujeito, de cada família e de cada escola.
Kehl (2009) ao apresentar colocações a respeito da depressão, ressalta que as novas gerações de jovens mães, filhas das mulheres fruto das mudanças e conquistas dos movimentos feministas do Ocidente são, como que afastadas da experiência da vivencia pratica da maternidade. Além desse fator ocorreu a entrada da mulher no mercado de trabalho. Perante essas mudanças o papel da mulher na família sofre transformações, e segundo Vaitsman ( 1994)., por vezes até mais flexíveis e plurais, novas famílias aparecem no cenário atual.
A idealização do filho acontece nesse cenário da competitividade do mercado. O filho sofre pressão familiar e por vezes escolar, acompanhado de uma agenda de atividades semelhante o do adulto, para ter sucesso. E desta forma com frequência, conflitos, perdas e dificuldades do processo de aprendizagem são atropelados pela aceleração do tempo de um outro, que o desconhece.
Os pais na visão de Kehl (2009), levam de maneira não avertida seus filhos ansiosos, tristes, hiperativos o até mal educados, ao psiquiatra. Não os auxiliá a enfrentar as repetências de ano, as dificuldades de aprendizagem, um insucesso no desempenho esportivo, ou até mesmo a impopularidade entre os amigos. Pontua que
São os pais, e não as crianças, que não suportam que seus filhos estejam expostos aos conflitos e crises inevitáveis da vida, assim como não toleram a ideia de que as vicissitudes da vida subjetiva possam deixá-los para trás na corrida precoce por boas colocações no futuro. Preferem medicar o sofrimento de seus filhos de modo à (re) ajustá-los rapidamente às exigências da vida escolar e dos ideais da vida social (p.278).
Na observação clinica, vejo famílias insatisfeitas com o ideal construído por eles mesmos, sobre o aprender do filho e seu desempenho escolar. É muito baixo o tempo de tolerância aos ensaios de aprender, em geral esperam um resultado imediato e perfeito. Existe também, por parte dos pais a dificuldade perante as mudanças de comportamento da adolescência. Desta feita, os pais com certa insistência incentivam a continuidade da atitude infantilizada do jovem ou ainda não toleram esperar as crises de isolamento, típicas da construção da subjetividade do adolescer.
Concluindo acontecem poucos espaços para o sujeito ensaiar, treinar, aprender a perder e ganhar, ou ainda apenas a aprender no seu tempo e estilo.
A clínica psicopedagógica momento compartilhado entre terapeuta e cliente, é o espaço do “reconhecimento da falta”, do entrar em contato com a dificuldade para aprender, onde há um tempo de espera para que encontre a sua capacidade para aprender.
O sujeito com problema de aprendizagem necessita entrar em contato na clinica psicopedagógica, com sentimentos da espera para aprender, da falta do que sabe e do que não sabe, do tempo exigido para aquela atividade. Estes comportamentos são fundamentais para a destituição do sintoma e a transformação de um ser que escolhe, que pensa e aprende.
A possibilidade de escolher, de perguntar e de pensar , move a circulação do conhecimento na família e na escola. Essas são ideias defendidas na Psicopedagogia.
Referências bibliográficas
Fernandes H. R. (Org.) Kehl, M. R., Mezan, R., Berlinck, M. C., Landa, F.& Costa, J. F. (1988) Tempo do desejo: Sociologia e Psicanálise (2nd.ed.). São Paulo, SP: Editora Brasiliense.
Fernández, A. (2000) Psicopedagogia em Psicodrama: habilitando el jugar . Buenos Aires, Argentina: Ediciones Nova Visión.
Fernández, A. (2001) Os idiomas do aprendente: análise das modalidades ensinantes com famílias, escolas e meios de comunicação. Porto Alegre, RGS: Artmed Editora.
Kehl, M. R. (2009) O tempo e o cão: a atualidade das depressões São Paulo, SP: Boi tempo Editorial.
Vaistsman, J. (1994) Flexíveis e plurais: identidade, casamento e família em circunstâncias pós-modernas Rio de Janeiro, RJ: Rocco.
sábado, 21 de maio de 2011
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