terça-feira, 31 de maio de 2011

Simposio Psicopedagogia Sedes Sapientiae Desafios frente à violência

Comunicação oral

PSICOPEDAGOGIA E CINEMA: o filme A ONDA


Alcionearques- Instituto Sedes Sapientiae

Ms Elisa Maria Pitombo- Instituto Sedes Sapientiae

Maria Paula Parisi Lauria – Instituto Sedes Sapientiae

Apresentamos reflexões psicopedagógicas sobre o filme A onda, de Dennis Gansel, baseado em fato real ocorrido em 1967, em escola secundária norte-americana localizada em Palo Alto, na Califórnia, Estados Unidos. Antes de virar filme ambientado na Alemanha, a história foi romanceada em livro. A intenção inicial do professor que viveu essa experiência na vida real era de que o curso fizesse parte do currículo da escola, a fim de que servisse de objeto de reflexão e ainda prevenisse contra a onda nazifascista iniciada no final da década de 30.

A onda traz a seguinte trama: Rainer Wenger, professor, deve ensinar seus alunos sobre autocracia, depois que o curso sobre anarquismo, seu tema de predileção, é assumido por outro professor. Devido ao desinteresse dos alunos e à sua própria falta de histórico nas aulas sobre esse tema, propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo e do poder. Wegner se denomina o líder daquele grupo de alunos, escolhe o lema “força pela disciplina” e dá ao movimento o nome de "A onda", nome votado pelos alunos. Em pouco tempo, os alunos começam a aderir às propostas do professor, voltadas para o poder da unidade, e a ameaçar os outros. Quando o jogo fica sério, Wenger decide interrompê-lo. Mas é tarde demais, e "A onda" já saiu de seu controle.

O discurso final, proferido pelo professor Ross na primeira versão do filme feito nos Estados Unidos em 1981: “Vocês trocaram sua liberdade pelo luxo de se sentirem superiores”. Todos vocês teriam sido bons nazifascistas. Certamente iriam vestir uma farda, virar a cabeça e permitir que seus amigos e vizinhos fossem perseguidos e destruídos. O fascismo não é uma coisa que outras pessoas fizeram. Ele está aqui mesmo em todos nós. Vocês perguntam: como que o povo alemão pode ficar impassível enquanto milhares de inocentes seres humanos eram assassinados? Como alegar que não estavam envolvidos. O que faz um povo renegar sua própria história? Pois é assim que a história se repete. Vocês todos vão querer negar o que se passou em “A onda’”. Nossa experiência foi um sucesso. Terão ao menos aprendido que somos responsáveis pelos nossos atos (isso é uma pergunta?). Vocês devem se interrogar: o que fazer em vez de seguir cegamente um líder? E que pelo resto de suas vidas nunca permitirão que a vontade de um grupo usurpe seus direitos individuais. Como “é difícil ter que suportar que tudo isso não passou de uma grande vontade e de um sonho”.

Do ponto de vista psicopedagógico, devemos nos fazer algumas indagações: Como desenvolver a autonomia do pensar e conhecer frente à massificação, ao fanatismo e à intolerância do ser humano? Como lidar com as situações de ensino-aprendizagem em grupos atraídos pela massificação de consumo: aqueles que se veem como iguais, com códigos próprios, o os leva a atos de rejeição aos “mais fracos” ou “diferentes”?

A animosidade do grupo com as pessoas que decidem não usar o uniforme, a agressão física do namorado frente às críticas que a protagonista faz ao movimento e a cena final, quando o aluno que se levanta no auditório contra A Onda é imobilizado são algumas situações de intolerância dos membros do movimento. Atos de violência do grupo de jovens, no filme, nos leva a pensar sobre que aspectos psicopedagógicos?

O filme “A Onda”, segundo Lima (2011), constitui-se numa metáfora correspondente a vários movimentos marcados pela presença de um líder carismático, sejam os Carecas do ABC paulista e os grupos de skinheads espalhados pelo mundo, entre vários outros. Nesses movimentos de líderes de poder autoritário e carismático, há sempre um chamado aos jovens para pertencerem a uma causa alheia aos interesses imediatos dos adolescentes. .

A massificação, o fanatismo e a intolerância ao ser humano são a tônica desses movimentos, representados no filme pelos jovens de camiseta branca que não têm autoria de pensamento, cuja identidade pessoal é arrebatada pela massificação do grupo. Os alunos desprezam o diálogo e se sustentam pelo argumento da emoção.

O filme nos leva a refletir sobre a perda de liberdade do “sujeito” que, do ponto de vista psicopedagógico, lemos com a falta da autonomia de pensar. No grupo retratado pelo filme, há massificação de pensamentos, com o predomínio de ordens e de ações. Em contrapartida, temos nos dias de hoje a massificação de costumes ditada pela mídia eletrônica e digital. Como ficam os sujeitos diferentes? Submetendo-se incondicionalmente ao poder do grupo, com palavras de ordens ditadas por vezes pelas de redes sociais, em direção a uma ação automática de subserviência absoluta, fazendo desaparecer o sujeito autônomo que pensa e cria.

Eco (1995), ao discutir em artigo sobre a nebulosa nuvem fascista que paira sobre o mundo atual, ressalta os sintomas da ascensão do irracional humano nos grupos nazifascista que pregam algum tipo de supremacia. Cita o fundamentalismo religioso (cristão, islâmico e judaico), como também ações criminosas vinculadas ao narcotráfico e ao terrorismo de grupos ou de Estado, com ausência de um projeto politico. O autor ainda assinala três sintomas: o desprezo pelo diálogo, o ato pelo ato, o argumento pela emoção e não pela razão. Para ele é justamente “a ação pela ação” e a “luta pela luta” que caracterizam muitos movimentos sociais da atualidade com traços fascistas.

Perante essas colocações, enquanto profissionais voltados para as questões psicopedagógicas, faz-se urgente refletirmos e, sobretudo, estarmos informados a respeito de tendências que destituem a autonomia do pensar e do conhecer, em favor de uma liderança carismática que venha aparentemente suprir necessidades individuais e grupais, com um chamado de igualdade e de um novo sentido existencial no mundo.

Referências bibliográficas
LIMA, Raymundo “ ‘A onda’ e o irracionalismo dos grupos”. Disponível em www.espacoacademico.com.br
ECO, Humberto. “A nebulosa fascista”. Disponível em www.bibliotecafolha.com.br














 

















terça-feira, 24 de maio de 2011

Tempo de aprender e o aprender com o tempo


Trago alguns pensares sobre a resinificação do tempo do aprender nos dias de hoje, nas instituições: escola e família, bem como o processo de aprender com o tempo.

Na minha prática psicopedagógica clínica em parceria com pais e escola, desenvolvo possibilidades de atuação dos seres pensantes no aprender na construção do conhecimento cientifico–cultural escolar e o conhecimento cotidiano familiar.
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Fernandez (2000) ao discutir sobre a aprendizagem de hoje e as modificações da construção do tempo, defende que “... havemos roubado o tempo, como diz Gonçalves da Cruz (1995) e Saidón (1995) junto a Deleuze, a Psicanálise é uma invenção do tempo para que o sujeito possa escutar-se e temos permitido que assim aconteça...“ (p. 244). Por analogia a autora assinala que a “... Psicopedagogia pode ser a produção de tempo para que possamos nos inventar pensantes” (p. 244).


Os instrumentos de comunicação da atualidade como a Internet, o celular, a televisão, fazem parte dos saberes do cotidiano advindo dos avanços do saberes científico culturais., constituem-se numa realidade. No entanto, a velocidade de imagens, de informações, de sons, por vezes afasta dos desafios reais do cotidiano. No meu modo de pensar, assistimos a uma aceleração da realidade, onde as relações humanas se distanciam de tal maneira que atingem a comunicação e, consequentemente de aprendizagem.

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Fernández (2000) ao analisar o papel da televisão na aprendizagem assinala, um ponto que concordo - o impacto da imagem visual tem tido mais força da verdade do que a palavra. A imagem da televisão parece preencher os anseios de quem a assiste. Mas a assinala que a palavra, sim é que permite um espaço para a pergunta, para o pensar e o aprender.

As modificações das construções do tempo advindas do mundo virtual de instantaneidade têm influenciado as relações de aprendizagem.

A escola e a família são atingidas pela “falta de tempo” para que seus alunos e filhos conversem, argumentem, discutam, enfim pensem. E com a “perda de tempo”, perdem o tempo para sentarem juntos e ouvirem histórias de seus antepassados familiares, ou ainda para ouvir e ver os alunos com problemas de aprendizagem.

O tempo na sociedade atual; do excesso de informação, da vertiginosidade e fugacidade das relações humanas, modifica a maneira da comunicação, da aprendizagem, e enfim do relacionamento humano.

Há então comportamentos comuns, todos têm pressa; de começar logo para terminar logo, de encerrar logo o dia para dormir logo, para acordar logo e ir enfrente logo. Mas para onde? Por que tanta urgência? A aprendizagem tem um certo tempo? E os problemas de aprendizagem têm um tempo certo duração? O atendimento psicopedagógico clínico deve atender às demandas de eficiência e eficácia do aprender? Os pais repensam o tempo dedicado ao ensinar e aprender de seus filhos? Qual seria a prioridade familiar, conversar ou ver televisão ou a Internet? Preparar os alunos para a competitividade do aprender ou para a cooperação do ensinar e aprender? Atender a dúvida do aluno ou pesquisar na Internet?


A aceleração temporal imposta pelas mudanças tecnológicas e sociais da pós-modernidade é vista por Fernandez (2001) ao discutir questões sobre as dificuldades da manutenção da atenção das crianças e jovens com problemas de aprendizagem, onde afirma que ”... a sociedade globalizada desatende a todos; contudo coloca como doença o que as crianças podem denunciar como a sua inquietude e falta de atenção” (p. 294).



Numa época onde o tempo individual é como que aniquilado pelo espaço cotidiano, o “aqui e o agora” adquire extrema importância devido ao ritmo imposto pelo tempo vivido na atualidade. Parece haver uma certa exigência de imediatismo de respostas, de resultados, sobretudo no processo de aprendizagem. O fracasso escolar, muitas vezes, filia-se ao fracasso familiar, e se faz urgente eliminar os seus efeitos, as notas e conceitos abaixo da media, sem ser considerado pelo ao menos as suas causas e implicações das diferenças, das particularidades de cada sujeito, de cada família e de cada escola.



Kehl (2009) ao apresentar colocações a respeito da depressão, ressalta que as novas gerações de jovens mães, filhas das mulheres fruto das mudanças e conquistas dos movimentos feministas do Ocidente são, como que afastadas da experiência da vivencia pratica da maternidade. Além desse fator ocorreu a entrada da mulher no mercado de trabalho. Perante essas mudanças o papel da mulher na família sofre transformações, e segundo Vaitsman ( 1994)., por vezes até mais flexíveis e plurais, novas famílias aparecem no cenário atual.



A idealização do filho acontece nesse cenário da competitividade do mercado. O filho sofre pressão familiar e por vezes escolar, acompanhado de uma agenda de atividades semelhante o do adulto, para ter sucesso. E desta forma com frequência, conflitos, perdas e dificuldades do processo de aprendizagem são atropelados pela aceleração do tempo de um outro, que o desconhece.



Os pais na visão de Kehl (2009), levam de maneira não avertida seus filhos ansiosos, tristes, hiperativos o até mal educados, ao psiquiatra. Não os auxiliá a enfrentar as repetências de ano, as dificuldades de aprendizagem, um insucesso no desempenho esportivo, ou até mesmo a impopularidade entre os amigos. Pontua que



São os pais, e não as crianças, que não suportam que seus filhos estejam expostos aos conflitos e crises inevitáveis da vida, assim como não toleram a ideia de que as vicissitudes da vida subjetiva possam deixá-los para trás na corrida precoce por boas colocações no futuro. Preferem medicar o sofrimento de seus filhos de modo à (re) ajustá-los rapidamente às exigências da vida escolar e dos ideais da vida social (p.278).



   Na observação clinica, vejo famílias insatisfeitas com o ideal construído por eles mesmos, sobre o aprender do filho e seu desempenho escolar. É muito baixo o tempo de tolerância aos ensaios de aprender, em geral esperam um resultado imediato e perfeito. Existe também, por parte dos pais a dificuldade perante as mudanças de comportamento da adolescência. Desta feita, os pais com certa insistência incentivam a continuidade da atitude infantilizada do jovem ou ainda não toleram esperar as crises de isolamento, típicas da construção da subjetividade do adolescer.



Concluindo acontecem poucos espaços para o sujeito ensaiar, treinar, aprender a perder e ganhar, ou ainda apenas a aprender no seu tempo e estilo.

A clínica psicopedagógica momento compartilhado entre terapeuta e cliente, é o espaço do “reconhecimento da falta”, do entrar em contato com a dificuldade para aprender, onde há um tempo de espera para que encontre a sua capacidade para aprender.



O sujeito com problema de aprendizagem necessita entrar em contato na clinica psicopedagógica, com sentimentos da espera para aprender, da falta do que sabe e do que não sabe, do tempo exigido para aquela atividade. Estes comportamentos são fundamentais para a destituição do sintoma e a transformação de um ser que escolhe, que pensa e aprende.


A possibilidade de escolher, de perguntar e de pensar , move a circulação do conhecimento na família e na escola. Essas são ideias defendidas na Psicopedagogia.



Referências bibliográficas

Fernandes  H. R. (Org.) Kehl, M. R., Mezan, R., Berlinck, M. C., Landa, F.& Costa, J. F. (1988) Tempo do desejo: Sociologia e Psicanálise (2nd.ed.). São Paulo, SP: Editora Brasiliense.

Fernández, A.  (2000) Psicopedagogia em Psicodrama: habilitando el jugar . Buenos Aires, Argentina: Ediciones Nova Visión.

Fernández, A. (2001) Os idiomas do aprendente: análise das modalidades ensinantes com famílias, escolas e meios de comunicação. Porto Alegre, RGS: Artmed Editora.

Kehl, M. R.  (2009) O tempo e o cão: a atualidade das depressões  São Paulo, SP: Boi tempo Editorial.

Vaistsman, J. (1994)  Flexíveis e plurais: identidade, casamento e família em circunstâncias pós-modernas Rio de Janeiro, RJ: Rocco.







quinta-feira, 19 de maio de 2011

Video Vocacional uma aventura humana

http://youtu.be/gO-y-kwYhfE

Em busca do tempo encontrado


 

Elisa Maria Pitombo

Foi essa a frase que me ocorreu ao término da exibição do documentário de Toni Venturi, Vocacional, uma aventura humana que participou da competição de longa e média metragem do 16 º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade 2011, no dia 2 de abril no Cine Cultura.

Reencontrei na longa fila de espera para a retirada de ingressos para a exibição, colegas, professores e funcionários dos Ginásios Vocacionais, que com abraços saudavam uns aos outros os bons tempos de escola publica da década de 60, que fez de nós cidadãos atuantes e conscientes.

Encontrei nos olhos dos outros o orgulho de ter a nossa vivência juvenil partilhada com o mundo, sim a nossa, pois de fato construíamos o conhecimento em aula onde, por exemplo, decidíamos o currículo com professores em aula chamada - Aula Plataforma, dentre muitas das atividades escolares. Tive honra de ter participado de uma das mais significativas experiências educacionais que esse país já teve, numa época em que muitos ousavam, mas poucos resistiram... Fui da turma de 1963.

Chnauderman ao discorrer no capítulo Uma escuta - olhar: a experiência do cinema, na obra Psicanálise, Arte e Estéticas de subjetivação (2002), cita que Kátia Lundt, par de João Moreira Salles no documentário Noticias de uma guerra particular (1999) afirma que " ... é preciso ter curiosidade pelo mundo, ter uma questão que você quer entender, para fazer um documentário ( p.132) ".

Penso que Toni Venturi ao realizar o documentário a partir de sua própria experiência educacional no Ginásio Vocacional Oswaldo Aranha, precisava entender porque uma escola que estimulava o saber e o prazer no aprender, foi extinta brutalmente pela ditadura militar de 1964. Tive também a mesma inquietude ao longo dos anos.

O achado para tal questão pode ser vista no brilhante documentário através do vivo depoimento, fotos e imagens cinematográficas de professores, de alunos e de familiares da saudosa Maria Nilde Mascelani (1931-1999) e seu legado educacional.

Idealizadora de um modelo progressista e pioneiro na educação pública brasileira, os Ginásios Vocacionais, instalados na década de 60 em São Paulo, Batatais, Americana, Rio Claro, Barretos e São Caetano do Sul visou à formação multidisciplinar de alunos e, sobretudo instigava que os alunos fossem sujeitos de sua própria história, ou seja, agentes de transformação. Para isso, as escolas uniam projetos interdisciplinares e viagens de estudo, por meio de uma intensa participação dos alunos em equipes, sempre estimulados a se expressarem e participarem sobre todas as questões escolares e sociais.

Educadora humanista, Maria Nilde Mascelani lutou com coragem e determinação em prol de seus ideais numa época em que ser consciente era ser subversivo, ser atuante era ser comunista, ser educador respeitado e preparado era uma ameaça. Enfim sua luta não foi inglória, deixou discípulos, várias obras e acima de tudo a esperança na Educação no Brasil.

No documentário Vocacional, uma aventura humana, encontrei fios para tecer o entendimento de fatos caros à minha memória. Esta exibição cinematográfica cumpre definitivamente a função de documentário, uma vez que amplia o entendimento de um exemplo enigmático da Educação no Brasil.


 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Historias de Aprendizagem do Centro Social Santa Marta de 2009

As Sete Amigas
Era uma vez sete amigas que se encontraram depois de muito tempo, e resolveram relembrar suas histórias de infância.
Uma das amigas comentou que na sua infância gostava de brincar com os animais.
A outra se lembrou que na sua infância esperava que a árvore falasse com ela, e que nessa época era muito feliz.
Uma delas recordou a época de escola, que não se acostumava com a escola, sempre queria ir embora. Outra delas contou como era bondosa sua mãe: nunca reclamava de nada e sempre agradecia o que tinha.
Uma delas contou que em sua infância tinha pouco para brincar, porque não tinha que cuidar dos irmãos menores.
Uma das amigas citou que quando era pequena tinha muita dificuldade no aprendizado de matemática.
E eu, quando era criança gostava de brincar, correr, pular, e hoje ainda gosto de tomar água na pia com caneca de alumínio!
E assim aconteceu o encontro das sete amigas que há muito tempo não se viam, e acabaram se lembrando de boas e não boas lembranças de suas infâncias.
Maria, Márcia, Isabel, Neide, Maria Aparecida,
Olinda Palmeira Costa, Solange

Histórias da Vida
Era uma vez uma menina que se chamava Luzia que queria aprender andar de bicicleta. Tanto fez que depois de tantos tombos aprendeu. Sua amiga Cleonice era sempre muito estudiosa, elogiada pela sua professora, pegava seu caderno para servir de exemplo para as outras coleguinhas.
Mariza tinha muita dificuldade para aprender a fazer as lições da escola. Sua mãe era muito exigente, lhe deu uma surra para que se esforçasse mais nas lições de casa.
Davina queria muito aprender a fazer crochê e entrou no curso para aprender a fazer o crochê. Tinha muita dificuldade para aprender, mas insistiu e conseguiu fazer o seu crochê.
Roseni era muito levada, arrancou a massa da janela, levou uma surra da diretora da escola e ela aprendeu que não se deve mexer no que está quieto.
Cida sempre teve vontade de estar no meio dos adultos, por isso eram muito prestativas, no bairro todos gostavam dela. Ela gostava muito de aparecer, por isso sempre estava na frente. Gostava de namorar, no entanto quando arrumou um namorado queria trabalhar, para comprar presentes batons, perfumes. Enfim gostava de se independente. Mas parou de estudar depois de muitos anos casou-se teve filhos e voltou a estudar, entrou no curso que muito lhe faz feliz.
Cleonice, Maria Aparecida, Davina, Isa, Roseni e Luzia

Gente grande
Eu sempre tive vontade de estar no meio das pessoas grandes, por isso eu era muito prestativa, assim no bairro todos gostavam de mim chamavam-me de Cidinha. Gostava de aparecer por isso sempre estava na frente, e de namorar. No entanto quando arrumei um namorado queria também trabalhar para comprar presentes, comprar batom, perfumes, roupas sapatos. Enfim gostava de ser independente. Mas parei de estudar depois de muitos anos. Depois casei tive filhos e voltei a estudar, encontrei esse curso que é muito bom para mim!
Cidinha

Dificuldade de uma aprendizagem
Era uma vez a dificuldade de uma infância. Primeiro dia de aula quando chegava ao portão era o maior choro. Medo de ficar só em um mundo desconhecido.
Quando entrava em sala de aula, mundo desconhecido e imenso, o que estará por vir?
Uma professora desconhecida para mim, uma lousa imensa preste a devorar um ser tão pequeno. Mas não tinha nada melhor do que o cheiro de coisa nova. Mas não havia nada pior do que ir a lousa e os nossos amigos achando graça, e chegando a nos humilhar. Eram vários nomes: burra, baleinha e outras coisas. É um trauma que levaremos para o resto da vida.
Ah que saudades do pré, tinha hora de aprender e hora de brincar. Apesar das críticas de minha mãe, várias vezes fui tachada de burra, mas sei que não sou.
Percebemos que a aprendizagem tem que ser feita com muito amor, carinho e dedicação. Que aprender é um grande desafio que se deve ser conquistado todo dia em nossas vidas.
Maria Figueiroa, Simone 1, Carol, Fernanda, Luciana Costa e Vanadir

Saudades de nossa infância
Nossa vida escolar era um pouco difícil, muitas precisavam parar o estudo para ajudar os pais, porém o pouco que estudamos fortaleceu nossa mente.
Esse pouco foi muito para nossas vidas, algumas aprenderam em casa outras na escola, ou até mesmo no próprio emprego, na roça, no sol.
Às vezes foi só alegria, conhecemos pessoas diferentes e aprendendo com elas, rindo, brincando cantando, desenhávamos casinhas, árvores, flores, montanhas e muito mais.
Os desenhos, nossa! Eram bem coloridos! Casinhas bem coloridas! A nossa família era esquisita pareciam uns palitinhos! E quando mamãe perguntava quem era ela: ria que só e papai então!
Mas para nós era nossa família.
A escola era tudo, tenho saudades dela, dos amigos, dos mestres e da nossa época! Que pena que não volta mais!
Ana Amélia, Romilda, Ivone, Ana, Joana e Eulina

Recordando a escola
Antigamente as coisas eram bem mais difíceis. Eu, Marta, estudei na escola “Esaltino de Mello”. Mas antes em Campo Grande não tinha escola. Minha tia formou uma classe de crianças mais velhas e quando chegou a escola foram para o 2º. Ano. Eu aprendi com ela e com minha avó.
D. Maria, que morava na Bahia, tinha dificuldade em aprender Matemática e chorava muito. Pediu para sua madrinha ensinar e foi assim que conseguiu aprender.
Rita teve uma infância difícil no sertão do Ceará. Teve uma professora muito dura. Ficou com ela algum tempo e não aprendeu nada, mas depois chegou outra que era maravilhosa. Ela se desenvolveu e foi a 1ª da classe.
Assim nós três conseguimos aprender e continuamos a aprender até hoje.
Marta Maria Passos, Maria das Graças Santana Maciel e
Rita Ramos de Souza

Recordações e Aprendizagem da Infância
A infância é como um começo de uma história. Sonha-se muito, fazemos planos e achamos que tudo seremos, sem pensar em dificuldades.
Brincamos muito, costuramos, fazemos renda, pescamos, fazemos tricô, crochê, mesmo que não esteja certo. Para a criança é uma alegria, está tudo certo. Está tudo bom.
Na escola tudo vai bem se não encontramos dificuldades no aprendizado de alguma matéria. Hoje como é bom recordar as brincadeiras, as professoras, os tombos, as travessuras.
Recordar também faz parte da história.
Elienai Duarte Claudino, Josefa de Medeiros e
Vicentina da Graça Salles

Encontro de Amigas
Em um encontro de amigas decidiram contar cada uma a sua história de infância.
Era uma vez...
Na escola gostavam de fazer muitas estripulias: brincar, correr, cair, machucar e namorar. Assim vai.
Contaram que tiveram uma infância muito difícil.
Tinham que ajudar a família a construir suas casas, mexiam com massa, tijolos e assim deixavam de lado os momentos de criança.
Uma delas, atendendo ao pedido dos pais, foi cortar capim (esta era esperta e foi brincar...).
Ao cair da tarde veio aquele temporal e junto levou aquela surra...
Outras eram mãe, amiga e protetora de seus irmãos. Um deles tinha Síndrome de Down, mas apesar de tanta responsabilidade se sentia muito feliz de estar ajudando sua família.
Decidiram preparar uma torta de morango e levou 3 horas. Ficou pronto, mas a torta veio ao chão e então ficaram chupando os dedos.
Este grupo de amigas se sentiu muito bem ao se reunir e compartilhar suas histórias de infância.
Cresceram, viraram donas de casa, tendo filhos, netos, amando cada vez mais seus momentos e enriquecendo cada dia mais, aprendendo, desejando, lutando, enfrentando os obstáculos que a vida nos trás.
E relembrando sempre daquele encontro de amigas.
Marli, Eliane, Maria Alves, Maria José, Terezinha, Maria das Dores,
Maria das Virgens, Holandina, Salete, Claudenice e Mathilde.

Quando eu era criança...
Era uma vez, Gizélia. Quando criança gostava de fazer boneca de pano e de costurar.
Osmarina tinha muita vontade de aprender a andar de bicicleta. Certa vez caiu e nunca mais quis aprender, pois ficou com medo.
Para andar de bicicleta tem que ter muito espaço. A Laura viveu no interior e adorava fazer rapadura, só não gostava muito porque as abelhas a picavam, mas no final era gostoso. Também era gostoso andar de bicicleta, mas a Vera não sabe e quer aprender.
Vamos nós, as amigas, para o Ibirapuera ajudar a Vera e Laura a andar de bicicleta!
Gizélia, Laura, Vera e Osmarina

Aprendendo
No passado quando éramos pequenas começamos a aprender.
Aprendi a ler e escrever quando morava na fazenda.
Era longe, mas foi muito bom!
Foi uma boa experiência que eu não me esqueci!
Aprendi também serviços de roça. Plantei café, feijão, arroz e milho. Aprendi também a colher principalmente o café.
Hoje, depois de uma certa idade, estamos descobrindo algo diferente, como por exemplo o artesanato.
E a cada dia descobrimos algo novo e isso é muito gratificante!
Magnólia, Jersina, Elza, Cecília e Neuza

Aprendizado de Vida
Na vida, cada dia aprendemos mais. A vida é um aprendizado.
Quando tive minha filha foi uma preocupação, cada dia aprendendo uma lição de vida.
Tenho um filho especial. Vivo para ele. Aprendo com ele como entendê-lo.
Aprendizado ao atravessar a rua, alerta sobre os carros... ou então preocupações com netos.
Tinha mais facilidade no aprendizado quando era nova.
Saudades dos tempos que meus filhos eram pequenos.
Agora voltei a aprender com os netos.
Cada dia que venho ao Centro Santa Marta conheço outros aprendizados com outras pessoas.
Habilidade de bordar e amizades com outras colegas de sala.
Lilian Dias Santos, Vanda Marcondes, Cleusa Pereira da S. Lopes,
Neusa de Oliveira e Elvira de Jesus Santos

Era uma vez três meninas
Uma chamava-se Neuza e na sua feliz infância aprendeu a fazer bonecas de pano, que eram os seus brinquedos. Com a ajuda do irmão também fazia carro de boi com sabugo de milho.
A outra menina chamada Nerci aprendeu a bordar com a professora, madrinha da irmã. Aprendeu a bordar o ponto atrás e o corrente. Ela era muito feliz.
A outra menina chamava-se Rita gostava muito de andar de bicicleta com as amigas, filhas das vizinhas. Tinha uma em especial chamada Ruth.
Então as meninas cresceram, cada uma em lugares diferentes, e hoje se encontram juntas fazendo trocas felizes de experiências aqui no Centro Santa Marta.
Nerli Teresa do Nascimento Oliveira,Maria Neuza Ribeiro Damasceno e Rita de Cássia da Anunciação Barreto